O Centro de Estudos Freudianos do Recife dedica-se ao ensino e à transmissão da Psicanálise, além da formação de analistas. Sua trajetória é marcada pela palavra de Lacan, que reafirma, de forma explícita e constante, a filiação ao pensamento de Freud.
A letra aqui veiculada é inspirada pelo espírito mais fiel à tradição psicanalítica, enriquecida pela contribuição dos discípulos de Freud e Lacan que mantêm viva a teoria diante dos desafios da Clínica e do “mal-estar da civilização” contemporânea.
O trabalho do Centro busca dar continuidade a uma teoria sólida, sustentada pela prática clínica e pelas questões que emergem no mundo atual, mantendo-se aberta a novos olhares sem perder suas raízes freudianas e lacanianas.
A abertura deste espaço visa manter e fortalecer os laços de trabalho e amizade com todos que se reconhecem na Psicanálise, criando um ambiente de troca e crescimento mútuo.

O Centro de Estudos Freudianos do Recife teve sua história e fundação referidas ao grupo integrado por Ivan Corrêa, Jacques Laberge e outros interessados no estudo, divulgação e transmissão da psicanálise Freud-Lacaniana, sendo uma das primeiras instituições a introduzir o estudo de Lacan no Brasil.
Este grupo, juntamente com colegas de outras cidades, tendo como sustentação a transferência à obra de Freud e Lacan, reuniu-se no I Encontro Nacional, em 4 de outubro de 1975, em reunião aberta, como concretização de um projeto amadurecido nos contatos anteriores. Após esse primeiro encontro, alguns grupos regionais deram os primeiros passos, de modo informal e assistemático.
No Recife, Ivan Corrêa, Jacques Laberge e outros mantiveram os estudos e as interlocuções, sustentando o núcleo que possibilitaria a posterior fundação do CEF-Recife. Nesse primeiro Encontro Nacional, foi escolhido como tema para o Encontro seguinte (realizado em fevereiro de 1976 – São Paulo) A Transferência, fundamentado no estudo do seminário de Lacan “A Transferência”.
A seguir algumas palavras dos fundadores:
“É interessante observar o seguinte: nosso grupo “aberto” nasceu, a 4 de outubro de 75, numa reunião limitada a cinco participantes, Ivan Corrêa de Recife e Jeanne-Marie Machado de Freitas Interlandi se juntando ao grupo […]. A escolha do nome, pela sua importância simbólica, pode ser considerada como o momento da fundação de nosso grupo […] chegou-se a “Centro de Estudos Freudianos”. Tal denominação não pode, evidentemente, esconder suas ambiguidades. É impossível canalizar, em direção a um centro, essa perpétua descentração, esse contínuo deslocamento que constitui a psicanálise. Sintoma do inevitável con ito da ”institucionalização”; institucionalizar significa, no caso, querer centrar um discurso descentrado […]. Habitualmente ausente das instituições do gênero, o termo freudiano é o único pelo qual se reconhecem os lacanianos. Freud é o cartaz dos lacanianos. …
“Retornando de Paris em julho de 1971, assumi em agosto do mesmo ano, na UNICAP, a disciplina Teorias e Escolas Psicanalíticas. Tive então oportunidade de introduzir um autor e uma “Escola” que não constava do programa, a saber, Jacques Lacan e sua Ecole Freudienne de Paris […]. Ao mesmo tempo recebia estagiários de Psicologia da UNICAP e da FAFIRE […]. Posteriormente, em 1973, alguns desses estagiários organizaram um grupo de supervisão sob orientação de Jacques Laberge que chegara a Recife em 1972. Foi a partir deste grupo que surgiu a idéia das conferências sobre Jacques Lacan, o que ocorreu em Dezembro de 1975 […]. Antes, porém, já acontecera, em 16.07.75, o encontro de Jacques Laberge com Durval Checcinato e Luiz Carlos Nogueira, em São Paulo, e a subseqüente fundação do CEF em 4.10.75.” …
O grupo do Recife, avançando no desejo de difundir, estudar e transmitir a Psicanálise, a partir dos textos de Freud e de Lacan, organizou-se também em torno da fundação jurídica do Centro de Estudos Freudianos do Recife.
O CEF-Recife foi, então, constituído como Pessoa Jurídica em 27 de outubro de 1984, situado na época à Rua Joaquim Xavier de Andrade, nº 72, no bairro de Casa Forte. Em sua primeira ata (06/10/1984) propôs e aprovou o texto elaborado pela Comissão de Revisão e Reformulação dos Estatutos e Regulamento Interno.
O CEF-Recife tem por nalidade estudar o inconsciente proposto, inicialmente, por Freud e relido por Lacan e outros, procedendo a investigação e a pesquisa do significante da realidade brasileira, e constituir-se como lugar onde se processa a formação de psicanalistas.
Para a consecução das suas atividades, o CEF-Recife propõe estudos, seminários, cursos e atividades correlatas, bem como programa de atividade de pesquisa e de publicação.
A instituição é mantida pelas mensalidades dos membros participantes, das mensalidades dos participantes de grupos de estudos, das vendas de suas publicações e dos eventos organizados, como conferências, seminários, jornadas e encontros científicos.
Fontes consultadas:
1 – Ata da Primeira Assembleia Geral Extraordinária – Livro de Atas com termo de abertura em 06 de outubro de 1984
2 – Revista Cé so-nº4- tomo 1- Edição Comemorativa dos dez anos de fundação do CEF-Recife
3 – Texto do Estatuto e Regimento Interno do CEF- Recife
Recife, 24 de setembro de 2008
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Este espaço – doravante tornado possível graças aos progressos da Ciência – sustenta-se na ética que funda a nossa práxis: a de que o lugar do sujeito, lugar de enunciação, tenha sempre primazia em relação aos enunciados aqui transmitidos.
E que o virtual seja tomado em seu sentido etimológico, isto é, daquilo que poderá vir efetivar-se, a tornar-se concreto, e não como oposto a real, já que ‘virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes’, como nos lembra Jean-Pierre Lebrun. Em outras palavras, que os traços estruturais do registro simbólico possam aqui fazer-se sentir e que o virtual da informática não seja para nós sinônimos de apagamento do simbólico pelo imaginário, de anulação da diferença e do vazio indispensáveis a todo o funcionamento do sujeito verdadeiramente humano, mas seja sinônimo de possibilidade.
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